O SEGREDO DAS LINGUAS l O curso de língua estrangeira ainda pode fazer parte da sua vida.

Como falar inglês fluente e como saber se já é fluente em inglês?

Como Falar inglês fluente e como saber se já é fluente em inglês?

Se você aprende inglês, você já deve ter se preocupado em falar inglês fluente. Essa é uma das principais questões que envolvem a sala de aula. 

É por isso que neste artigo você entenderá de uma vez por todas o que seria esse tal inglês fluente que muitos saem jogando por aí.

A partir de agora, todas as suas dúvidas serão sanadas quanto ao que é ser fluente em inglês. E te digo mais, você vai poder no fim deste artigo saber se você fala inglês fluente, se está longe disso ou quase lá.  

O que é falar inglês fluente?

Qualquer um que aprenda inglês tem um objetivo muito claro: falar inglês fluente. À primeira vista, isso parece simples, um conceito básico, afinal de contas até mesmo alunos conseguem definir o que é ser fluente. 

Ou será que conseguem? Como veremos a seguir, as reflexões acerca do que seria fluência no campo da ciência são muitas e a discussão revela que esse termo é meio problemático. 

Na realidade, o que a literatura nos mostra é que os alunos estão cheios de “noções” do que é falar inglês fluente na cabeça deles. 

As pesquisas na área da Linguística mostram que o que os alunos acreditam que é ser fluente, muitas vezes não passa de imaginário ou influências de gurus de internet e afins. 

Além disso, existe a influência  do marketing mentirosos feito tanto pelas escolinhas quanto por influencers que não sabem do que estão falando e que só querem te vender curso. Já vi até alguns Youtubers que admitem não falar inglês, mas vendem cursos mesmo assim.

As maiores bobagens faladas na internet estão no campo de: falar igual nativo, pensar em inglês, e o tal inglês rápido (em 6 meses) e fácil. Sem contar com o absurdo de ‘destravar seu inglês’. Esse é demais!

A questão é que esses conceitos perpassam muito mais o marketing das escolas de idiomas e a falação de besteira que existe na internet. Por isso, vale sempre lembrar que hoje as pessoas não diferenciam mais marketing de realidade.

Infelizmente o marketing hoje dita comportamentos e os alunos têm plena certeza que aquele influencer que saiu ninguém sabe de onde e que diz que tem expertise em ensino de línguas está falando a mais pura verdade. 

Sem contar que boa parte das pessoas na internet são pagas para mentir pelas escolinhas de idiomas. Consequentemente, ideias absurdas para nós, linguistas, acabam se tornando “dicas” dadas por gente sem repertório.

A questão aqui é que cada um tem seu ritmo de aprendizagem e você deve respeitar o seu, aprender de maneira rápida é uma necessidade puramente mercadológica e aprender de maneira fácil é sua preguiça falando mais alto. 

E eu desconfiaria, se você quer aprender inglês rápido é porque provavelmente você não curte muito o que está fazendo. Até porque se gostasse não gostaria que terminasse correndo. Então, será que vale a pena investir em um curso nessas condições? 

As neurociências mostram que você vai precisar de 10 mil horas de contato com o inglês para poder arriscar dizer que fala inglês fluente. Ou seja, falar inglês rápido e fácil é impossível. Já vai tirando essa ideia da sua cabeça. 

Voltando ao falar inglês fluente, há algumas décadas atrás, a noção de fluência estava ainda baseada na gramática tradicional, privilegiando as regras ao invés da comunicação. 

Essa visão de que ser fluente é produzir frases infinitas obedecendo à fonologia (sons), estrutura da frase e o significado das palavras era a mais comum. 

Para melhorar esse conceito alguns linguistas acrescentaram a espontaneidade como um fator de fluência. Portanto, quem fala inglês fluente seria a pessoa que conseguisse produzir uma língua espontaneamente.

Isso significa que a velocidade é um fator que conta na hora de medir se você fala inglês fluente. Porém esses conceitos são abstratos e difíceis de medir. Afinal de contas, você fala português fluente e pode falar devagar. 

Até hoje ainda tem gente que ingenuamente acredita que falar fluentemente é basicamente isso: falar certo, sem sotaque e rápido. Mas a questão aqui é: como medir o que é certo, sem sotaque e rápido? 

Falar inglês rápido, sem erros e sem sotaque

Como discutimos acima, não é que espontaneidade não tenha a ver, afinal de contas, uma pessoa que tem o discurso muito “scriptado” obviamente vai ter dificuldades de se expressar quando sai do contexto para o qual o discurso foi preparado. 

Esse talvez seja um dos principais problemas de quem aprende inglês em escolinhas que utilizam o método áudio-lingual. Assim, falar inglês fluente nesses casos estaria limitado ao que você decorou em sala e não ao que aprendeu. 

Sem contar que a correção gramatical não é tão importante assim, porque é possível falar inglês fluente e sua língua estar lotada de erros de gramática. Porém, ainda assim, você pode ser compreendido pelos falantes e comunicar-se corretamente.

A questão aqui é se fazer entender, se contém erros ou não, é um julgamento que sai do linguístico e vai para o social, contanto que seus erros não tornem a frase agramatical. Isso quer dizer, sua frase fique impossível de se entender minimamente.

Falando em velocidade, é interessante notar que mesmo pessoas em sua língua nativa podem falar de maneira devagar, hesitar muito e apresentar dificuldades de se expressar.

É óbvio que um nativo consegue concatenar mais palavras sem precisar parar para pensar. E também temos que considerar que qualquer não-nativo vai sempre ter uma competência linguística menor do que a de um nativo.

Não tem jeito, se você aprendeu uma língua depois da puberdade com sua primeira língua já na sua cabeça, você vai acabar sendo limitado na sua segunda língua. É assim que a banda toca!

Essas crenças ingênuas revelam um outro aspecto sobre o falar inglês fluente, que seria um dia ter o mesmo domínio que se tem da língua materna. 

O aprendiz que acredita que falar inglês fluente é chegar a aprender a língua “toda” e falar igual nativo, caiu no conto do vigário. Dada a quantidade de besteiras espalhadas por aí, é muito fácil ver alguém que cultiva essas ideias hoje. 

O que as pesquisas mostram é que existe sim a possibilidade de se falar uma língua igual nativo. Porém considerando que se expressar em um idioma é muito pesado para o seu cérebro, as chances de você fazer isso são muito pequenas, a ponto de serem praticamente zero mesmo.

Portanto, achar que um dia você vai falar igual nativo, sem sotaque ou que vai falar rápido é ir pelo senso-comum empobrecido, porque isso é quase impossível de acontecer. 

Sendo assim, falar inglês fluente poderia estar mais relacionado com o preenchimento do tempo de fala, a coerência das frases usadas, o repertório que te permite conversar nos mais diversos contextos, a construção de metáforas, piadas e trocadilhos. 

Para tanto, o aluno vai precisar saber de maneira extremamente vasta as formas da língua – sons, estrutura da frase e das palavras e expressões idiomáticas. 

Algo que já foi notado pelos linguistas é que a construção de metáforas e de piadas é extremamente difícil e portanto, isso seria um bom termômetro para saber se você realmente fala inglês fluente. 

Um outro fator que deve entrar em cena é a personalidade, afinal de contas ser engraçado é um traço pessoal e não universal. E seu nervosismo e auto imagem podem afetar grandemente sua produção linguística. 

E falando de auto imagem, muitas vezes alunos acreditam que por falar inglês fluente, eles terão acesso à comunidade de falantes automaticamente. No entanto, a questão da fluência e de parecer nativo, às vezes não te dá acesso garantido à comunidade de falantes. 

Daí então sempre ficará a questão: será que eles querem te aceitar? Seria essa uma questão de auto imagem? Quem define quem faz parte da comunidade de falantes ou não? 

Isso significa que em termos de competência linguística e papel social, você nunca vai ser nativo mesmo. Mas afinal, se os fisioterapeutas já comprovaram que pessoas em países diferentes até andam diferente, para quê você iria querer se passar por uma pessoa que nunca vai poder ser?

Seria recomendável trabalhar sua segurança se você ainda se subalterniza por ser aprendiz (e para sempre será). Já que sua competência vai sempre ser limitada e você pode nunca ser aceito na comunidade de falantes, pra quê se preocupar tanto com isso?

Ademais desses atributos apresentados acima, não podemos esquecer que todas as línguas têm expressões idiomáticas pré-fabricadas, colocações e frases prontas. 

Consequentemente, para alguns autores é de suma importância para a definição de fluência inserir o uso correto e corrente dessas expressões na fala. 

Como saber se você já fala inglês fluente?

Como vimos acima, falar inglês fluente pode estar conectado com o repertório vasto de estruturas na língua que te permitem comunicar no máximo de contextos possíveis.

Assim sendo, as expressões idiomáticas são de grande valor para a bagagem do aprendiz, pois ao usá-las juntamente com colocações, por serem fixas, o aluno demonstra conhecimento da cultura local e passa uma boa imagem diante dos falantes.

Sem contar que as colocações e os idiomatismos tiram seu foco da estrutura linguística produzida porque eles são fixos e mais automáticos. Assim, eles te ajudam a prestar atenção a outros aspectos de sua produção oral como tom e sons, por exemplo.

Uma outra questão que engana muito os alunos é achar que falar inglês fluente só é possível se você sair daqui. Realmente estar imerso na língua e na cultura ajuda bastante, porém o aluno tem que estar extremamente motivado para que um programa de intercâmbio valha a pena. 

Caso contrário, é só perda de tempo. Afinal, quantas pessoas vocês conhecem que já moraram fora e não falam nada? Isso indica que só imersão forçada não garante fluência. E isso também rompe com a ideia de que o bom professor e o falante fluente necessariamente moraram fora.

Um último ponto, não podemos esquecer que um certo automatismo na produção linguística também é necessário. É comum na fala de alguém fluente que alguns enunciados relevantes para o cotidiano se tornem automáticos. 

O processo advém da prática consistente dessas frases e acabam se tornando “fórmulas” usadas pelos falantes diariamente. 

Esse é um dos principais pontos de divergência entre estudantes e nativos. Isso acontece porque nativos aprenderam essas “fórmulas” linguísticas desde criança quando seus cérebros absorviam todo o conteúdo. 

Você, no caso, aprendeu quando já falava português e provavelmente não teve contato com o inglês 24 horas por dia durante a infância para poder falar igual nativo ou pensar em inglês.

Para não-nativos, consequentemente, a linguagem formulaica o permite liberdade para direcionar sua capacidade para onde for necessário, além de que esse tipo de enunciado aumenta a segurança dos alunos.

Portanto, o que é falar inglês fluente? 

Considerando tudo o que vimos, poderíamos pensar no falar inglês fluente como o falante que tem desenvoltura, espontaneidade, prontidão, automatismo (não necessariamente rápido) e com uma riqueza de recursos linguísticos que o permita falar em qualquer situação que ele precise. 

Sem contar que o ‘estar à vontade’ com o inglês também é importante. Se você tem medo de falar, fica nervoso e esquece o que ia dizer ou teme pegar um livro para ler, pode ser um sinal de que precisa trabalhar tanto seu idioma quanto sua autoimagem. 

Sendo assim, o conhecimento das regras discursivas, através de um texto coeso e coerente, com o uso no contexto correto das colocações e expressões idiomáticas, também estariam dentro do conceito de fluência. 

Além disso, é importante lembrar que muitas vezes a imagem do que venha a ser falar inglês fluente nada mais é que marketing de escolinhas de idiomas, gurus e charlatões perdidos no mercado de idiomas.

Às vezes, os professores estão mais perdidos ainda. Dada a má formação e o enorme número de professores que só dão aula por notório saber (eu não tenho nada contra), e que lhes falta o repertório teórico.

Se esse artigo te ajudou a iluminar um pouco a sua visão de fluência, que tal ver outros posts que podem te ajudar a falar inglês fluente. 

Fonte:

http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/269420/1/Silva_VeraLuciaTeixeirada_D.pdf

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